Por que as pessoas se tornam tão grosseiras em um relacionamento íntimo?

Enquanto as relações são superficiais fica mais fácil manter um bom nível de comunicação, mas na medida em que vai se criando intimidade, é bastante comum perder a linha e partir para a estupidez. As pessoas simplesmente baixam a guarda e deixam que a besta guardada dentro de si, se manifeste. Depois de algum tempo você perde o respeito, começa a colocar o outro para baixo, diz qualquer coisa, ofende, agride e conforme for, parte para a violência física. Assim, você transforma seu amor em um saco de pancadas. Alguns são mais sutis e usam a tática do silêncio, colocando o outro na geladeira, outros fazem greve de sexo, muitos batem a porta, sem contar os que gritam. Tudo para vencer mais uma batalha da guerra que chamam de relacionamento amoroso. Por que isso acontece? Você quer controlar, quer dominar e age assim. Cada um nasce com um temperamento, mais ou menos agressivo, mas muito do que somos é aprendido com os modelos que temos na infância. Os irmãos brigam, numa eterna disputa. Os pais se tratam de qualquer jeito. O desrespeito impera. Uma pessoa que não teve uma boa educação emocional, com certeza se tornará um adulto insuportável. Por isso, todos nós precisamos passar por uma reeducação dos sentimentos. Precisamos entender e lidar melhor com nossa agressividade. Só assim nos tornaremos menos bélicos e mais amorosos.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos(agende uma consulta presencial ou à distância)

Como fazer para curar um coração partido?

Entrevista de Sergio Savian* para o Portal UOL

Quase todo mundo já passou pela sensação de coração partido e, apesar de ser um sentimento, parece que a situação provoca uma dor física. Por que este tipo de sentimento provoca tamanha dor?
O que sentimos hoje em uma relação amorosa é uma versão do que já sentimos na infância em relação aos nossos primeiros amores, que são nossos pais. Afastamentos mal resolvidos da mãe ou do pai podem ter sido experenciados como traumáticos, com muita dor emocional. Na vida adulta, uma situação de separação faz disparar sentimentos equivalentes que estavam guardados em nosso inconsciente. E quando a dor é muito grande e não reconhecida, é bem capaz que ocorra um processo de psicossomatização, manifestando-se no corpo, por meio de sintomas físicos.

Quais reações físicas podem ser identificadas por causa deste desalento?
O mais comum é a dor no peito, que é a região do corpo onde são processados fortes sentimentos. Problemas de pele também são comuns. E, dependendo do tipo de conflito, quando envolve raiva, pode ocorrer torcicolos e dores nas costas. Cada um tende a somatizar conflitos emocionais em diferentes partes do corpo.

Existe uma forma de superar um término sem sofrer tanto?
Sofremos por decepção, medo, rancor, insegurança. Sofremos porque em nossa imaginação não daremos conta desses sentimentos. A maneira como entramos e saímos das relações está relacionada com conceitos e valores que adquirimos durante a vida. O parceiro e o relacionamento tem uma simbologia para cada um. Quanto mais importância se dá à relação e à importância do outro em sua vida, maior o sofrimento. Quanto mais apegado você estiver, mais vai sofrer. Quanto mais rápido conseguir se desapegar não só do parceiro, mas de todos os planos que havia feito com ele, menos sofrerá.

Este tipo de dor muda de pessoa para pessoa? Pode ser mais intensa em determinada fase? Acomete mais mulheres, pessoas mais jovens?
Sofre-se mais ou menos, sente-se  esta dor com mais ou menos intensidade, de acordo com a estrutura e dinâmica psicológica. A crença no amor romântico nos faz sofrer porque muito facilmente iremos nos decepcionar com a realidade que não sabe nada de romantismo. Pessoas muito dependentes não querem abrir mão do outro e da relação, mesmo que ela tenha se mostrado insalubre, e sofrem. Pessoas mais independentes emocionalmente resolvem a mesma situação muito mais rapidamente.

Existem pessoas que demoram mais para curar um coração partido? Este é um sentimento que pode permanecer por muito tempo?
O tempo para resolver uma separação depende de como cada um encaminha a questão. Este é um ótimo momento para buscar uma terapia de apoio que vai ajudá-lo(a) a superar a dor, instrumentando-o para ver as coisas com outro ponto de vista.  Na terapia você tem a possibilidade de desabafar, de entrar em contato com todos os sentimentos que vão da perda, o medo, a raiva e outros. Sem autoconhecimento o conflito fica guardado dentro de si e mais tarde poderá se manifestar de alguma forma novamente.

O que podemos fazer para mitigar a dor de um coração partido?
É importante ter um espaço para desabafar. No começo, o choro contido, depois a raiva do outro e da relação. Com o tempo vem a compreensão de que a separação era necessária ou mesmo inevitável. Você aceita os fatos e entende que pode aproveitar o momento para se entender melhor, para crescer e expandir a consciência. Aproveita a oportunidade para se experimentar de uma nova maneira na vida.

Quais são os melhores mecanismos para enfrentar e se recuperar efetivamente?
O melhor a se fazer nestas ocasiões é voltar-se para si e entender o que aconteceu. Agora você  terá mais tempo para se cuidar. Cuidar de si, do corpo, da mente, das emoções, do espírito.

É importante ficar atento para não mascarar essa dor? Vale senti-la e enfrenta-la sem tentar parecer tão forte? É preciso cuidado para não deixar essa dor emocional te levar para ações ruins?
Você é maior que seus sentimentos. Colocando sua atenção no outro você o empodera. Por isso, pesquisar que que está acontecendo com ele nas redes sociais não é aconselhável pois assim  você se enfraquece. Agora é hora de prestar atenção em você e não no outro. É hora de se reconectar consigo mesmo.

Um tempo sozinho é suficiente? Ou a dor de um amor se cura com outro?
Se tentar curar o coração partido com outro amor pode dar errado. Você ainda não está inteiro, não está pronto e realmente disponível . Ficar só é bom. Sentir-se bem novamente é necessário. Recuperar a auto-estima, o auto-valor. E quando estiver se sentindo muito bem consigo e com a vida, aí sim, estará no ponto de viver uma nova experiência de envolvimento, uma outra relação. Ou não. Também existe a possibilidade de ser feliz sozinho. Por que não?

*Sergio Savian é psicanalista especializado em relacionamentos.

Liberdade de escolha

Basicamente todos nós somos dotados de vontade e liberdade de escolha. Para que a vida se torne  uma obra de arte, é preciso entender que o mundo à sua volta não é algo “dado” e definitivo. É possível transformá-lo, e você mesmo pode ser alterado ao se dedicar à tarefa de mudá-lo. Sua vontade e escolhas deixam assim suas marcas na vida à despeito de toda a pressão esmagadora de forças externas que impõem um “você deve” onde deveria estar  um “eu quero”. E quando você conclui que o caminho escolhido não leva a lugar algum, e que chegou a hora de abandoná-lo, qual a melhor escolha a fazer? Não existe uma resposta  direta e inequívoca a esta pergunta. Cada decisão tende a permanecer arbitrária, pois ninguém está livre de riscos e seguro contra o fracasso e desapontamento posteriores. Para cada argumento em favor de uma escolha, pode-se encontrar um contra-argumento não menos considerável. A verdade é que a vida caminha na companhia da incerteza! E no final das contas, todos nós vamos fazendo nossas escolhas, cheias de riscos, vamos construindo o próprio destino, sem ter certeza de nada!

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos
(agende uma consulta presencial ou on line)