Por que as pessoas se tornam tão grosseiras em um relacionamento íntimo?

Enquanto as relações são superficiais fica mais fácil manter um bom nível de comunicação, mas na medida em que vai se criando intimidade, é bastante comum perder a linha e partir para a estupidez. As pessoas simplesmente baixam a guarda e deixam que a besta guardada dentro de si, se manifeste. Depois de algum tempo você perde o respeito, começa a colocar o outro para baixo, diz qualquer coisa, ofende, agride e conforme for, parte para a violência física. Assim, você transforma seu amor em um saco de pancadas. Alguns são mais sutis e usam a tática do silêncio, colocando o outro na geladeira, outros fazem greve de sexo, muitos batem a porta, sem contar os que gritam. Tudo para vencer mais uma batalha da guerra que chamam de relacionamento amoroso. Por que isso acontece? Você quer controlar, quer dominar e age assim. Cada um nasce com um temperamento, mais ou menos agressivo, mas muito do que somos é aprendido com os modelos que temos na infância. Os irmãos brigam, numa eterna disputa. Os pais se tratam de qualquer jeito. O desrespeito impera. Uma pessoa que não teve uma boa educação emocional, com certeza se tornará um adulto insuportável. Por isso, todos nós precisamos passar por uma reeducação dos sentimentos. Precisamos entender e lidar melhor com nossa agressividade. Só assim nos tornaremos menos bélicos e mais amorosos.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos(agende uma consulta presencial ou à distância)

Até quando você vai se boicotar?

Todos nós somos únicos, em nossos talentos, qualidades e até em nossos defeitos.
No desejo de pertencer à media, não reconhecemos quem realmente somos.
Ora você se sente superior, ora inferior, numa eterna e infeliz comparação.
Desta maneira você se boicota, perdendo o precioso tempo de vida, focado na opinião alheia, fazendo de tudo para se encaixar nos padrões de normalidade exigidos pela família, pelos vizinhos, pela sociedade.
Enquanto isso, o ouro que carrega dentro de si, que é o seu talento nato, fica escondido, esperando que seja descoberto.
Somente quando você tiver a coragem de se desvencilhar do pensamento comum e olhar para dentro de si, é que encontrará sua valiosa unicidade.
E é a partir daí, que você poderá desenvolver seus potenciais, e com muita alegria e sentimento de realização, trabalhar para que sua vida e este mundo se tornem melhores.

Sergio Savian é psicanalista especializado em relacionamentos. Mais informações sobre seu trabalho e ideias no www.sergiosavian.com.br

Estamos todos condenados à morte, mas isso não é uma novidade!

Texto de Sergio Savian*

Desde que nascemos o nosso destino é morrer. É só uma questão de tempo. Alguns morrem muito cedo, outros no percurso da vida e a maioria morre com mais idade. Mas uma coisa é certa: todos nós vamos morrer. Mas essa é uma verdade que no geral fazemos questão de não olhar de frente. Parece que nunca será com a gente.
Quando alguém tem a sua sentença de morte decretada, depois de se rebelar e achar que é um azarado, percebe que diante do inevitável só resta aproveitar muito bem o tempo que ainda falta. É clássico! Quer dizer, a iminência da morte evidencia o que é mais importante na vida. Deixamos de lado as picuinhas, nos arrependemos do tempo perdido e acordamos para o momento presente, antes que ele acabe. Quer dizer, a vida e a morte andam sempre de mãos dadas. Não dá pra pensar em uma, sem levar em consideração a outra. A vida é um eterno morrer e renascer.Cada vez que dormimos, é uma espécie de pequena morte. Cada vez que temos um orgasmo, também. Perdemos o controle, o ego – o eu, da forma que conhecemos, desaparece. Na verdade vivemos a morte sistematicamente mas não temos consciência disso. Só temos a impressão de que ela é má. Que não deveria acontecer. E evitamos esse assunto a todo custo.
Então, se você nega a morte, e não quer pensar nela, se você faz de conta que ela não existe, tem alguma coisa errada com você! Como você pode negar algo tão real, inquestionável? A gente morre todo dia, morrem pessoas todos os dias.
E o que está acontecendo agora? A morte está passando por aí, e, a gente não sabe exatamente quem ela vai escolher. Pode ser eu, pode ser você, pode ser qualquer um. Essa é a verdade. O medo prevalece, o instinto de sobrevivência fica aguçado. A ordem é ficar em casa, se proteger, pois na rua você vira uma presa fácil.
Tem mais: o nosso pequeno eu não tem a força que imaginávamos. A gente ficou muito tempo achando que éramos muita coisa: julgando, condenando, segregando. Até hoje ainda tem muitos que se sentem superiores ou donos da verdade. Acham que sabem tudo. Sabe nada! Abaixa a crista, coloque-se no seu lugar. Estamos todos no mesmo barco. Agora, ninguém é mais que ninguém.
É claro que devemos ficar em casa, é claro que não vamos sair por aí desafiando o perigo. Mas isso é pouco. Vamos aproveitar essa oportunidade. Tem um outro caminho. Que  tal fazermos as pazes com a vida e entender que a morte não é sua principal inimiga, afinal, ela faz parte. Na real, o principal opositor da vida é o medo. É ele que nos paralisa, é ele que nos ilude dizendo que devemos ter o controle de tudo. Será que temos tanto controle assim? Como medo da morte a gente se engessa, a gente não vive. Queremos segurança, queremos ter cada vez mais segurança. E agora? Que segurança você tem? É sempre bom lembrar: o lugar mais seguro que existe é o caixão. Ali nada de novo acontece. Nenhuma incerteza, nenhum imprevisto. Quer dizer, o medo leva a gente para uma imobilidade mortal. Com medo de morrer, você não vive.Com medo de morrer você se proíbe.Com medo de morrer você se paralisa. O medo não te deixa viver. O medo amarra a gente. Não estamos acostumados com o fluir da vida. É por isso que tem muita gente que está quase morto e não sabe!
Quem se acostuma com o fluir da vida, não tem medo da morte. Quem tem como valor máximo a realização não teme a morte. Gosto muito do título do poeta Pablo Neruda “Confesso que vivi”. Esse é o meu lema e pode ser também o seu.
Quanto menos medo você tiver da morte, mais vai aproveitar a vida. O contrário do medo da vida é aproveitar tudo que você tem direito, dançar a vida, celebrar a vida. Lembrando que aproveitar a vida não é sair por aí buscando a felicidade fora. A resposta não está longe de você, fora de você. O segredo é reconhecer os bons momentos em tudo o que faz, mesmo com as limitações atuais. Amando o que faz, fazendo bem feito, colaborando com o mundo.
O eu pequeno, egóico, do jeito que estamos acostumados, não vai resolver essa situação. Precisamos do Eu grande que vem da humildade, da humanidade, que vem do questionamento dos valores equivocados que andaram nos guiando. O Eu grande se manifesta na união de todos nós. No reconhecimento do que está além da matéria. Está no espírito. Está no amor. E na nossa  boa vontade.
O momento agora não é de reclamar, nem de culpar os outros. Tenha a dignidade de olhar para si e entender o que você tem feito da sua vida. Tenha a coragem de assumir a responsabilidade. O que estamos vivendo hoje é produto das escolhas que fizemos no passado. E isso não muda. O que dá pra mudar é o que vou fazer hoje. E hoje, ao invés de se encolher de medo, podemos dançar a vida e celebrar o fato de estar vivo.
Escuto as pessoas dizendo que não veem a hora de tudo voltar ao normal. Mas eu digo: “Eu não quero que tudo volte como era antes!” Não me interessa esse jeito . Estávamos equivocado, não estávamos felizes. Eu quero que o amanhã seja diferente. Eu quero que o amanhã seja construído com muita consciência hoje. Um amanhã mais alegre, mais gentil, com mais inteligência emocional, com mais cuidado com a gente mesmo e com os outros.

Sergio Savian – psicanalista clínico transpessoal 
(se estiver interessado em seu autoconhecimento, fale comigo pelo Whatsapp  11 98383 9305)