Os opostos se atraem?

Entrevista para APCD Central

1)       Na sua opinião, é possível dizer que os opostos se atraem ou isso é apenas um mito?
Os opostos se atraem, mas isto não significa que duas pessoas muito diferentes terão um bom relacionamento, pois, na mesma proporção da atração acontecem os conflitos.

2)       Em um relacionamento on-line, como isso se dá?
Os relacionamentos on-line têm a característica de serem muito idealizados. Por isso, muitas pessoas dizem que querem alguém com quem tenham afinidades, mas é muito difícil que isto passe do virtual para o real.

3)       Quando uma pessoa está em busca de um parceiro(a), quais características devem se levar em conta?
Basicamente é bom encontrar alguém por quem você se sinta fisicamente atraído, que tenha um bom papo e que em sua presença se sinta muito bem. Tudo isto deve ser recíproco.

4)       Existe uma predestinação genética que influencie essa escolha?
Sem dúvida as nossas escolhas passam pelos instintos e pela intuição, que sempre dialogam com nossas aspirações mais profundas, não racionais. De onde vem este desejo? Dos astros, do destino, do DNA, de vivências passadas? Pode ser que sim.

5)       Qual a importância da similaridade e da proximidade entre parceiros em um relacionamento?
Afinidades, semelhanças, proximidades são importantes para construir um relacionamento consistente. É bem capaz que tudo isto torne o desejo sexual mais morno, mas efetivamente oferece uma boa condição para a convivência.

6)       Quais as principais causas de conflitos entre os casais?
Creio que as suposições estão em primeiro lugar e isto significa que você percebe pouco e fantasia muito quem o outro é. Outro motivo são os paradigmas sobre os relacionamentos amorosos. Precisamos urgentemente mudar nossos conceitos sobre amor e sexo.Quase tudo o que nos ensinaram não dá certo. Amor romântico, ciúme, posse, tudo isso faz as relações chegarem a becos sem saída.

7)       Como lidar com a separação?
Quando não há mais desejo, quando não há mais amor, quando não há sabedoria, nem boa vontade para solucionar conflitos, a separação é inevitável. Separa-se melhor quem olha para o futuro, tem fé e faz de tudo para ter uma vida melhor. Sofre quem fica apegado às pessoas e relações que não funcionam mais.

8)       Como você vê o sucesso de revistas com dicas amorosas, manuais de conquistas, etc?
As pessoas querem fórmulas fáceis. Poucos se dispõem a se conhecer, mergulhar fundo em sua alma, entender o que realmente quer. Grande parte do que é publicado por aí não proporciona transformações relevantes aos leitores.

9)       Como que se dá a escolha do parceiro(a)? São pelos instintos? Pela aparência física?
Tudo influencia: a aparência, afinidades intelectuais, gostos, modo de vida, o jeito de se expressar, valores, moral.

10)   Como lidar com o ciúmes e a superexposição causados pelas redes sociais?
As redes sociais podem ser importantes formas de comunicação, mas, no que se refere à superexposição, atrapalha bastante os relacionamentos. Hoje em dia boa parte das brigas e separações iniciam-se nas redes sociais. Além disto, as redes servem à vaidade e ao narcisismo e acabam substituindo pobremente as relações reais.

Sergio Savian é terapeuta de relacionamentos. oferece aconselhamentos e programas para quem deseja relacionar-se com mais prazer e qualidade. Saiba mais sobre seu trabalho em www.sergiosavian.com.br

As mais diversas interpretações do amor

Entrevista com Sergio Savian* para a Revista Única – MT

– O amor é de fato o que dá sentido à vida ou é mais um complemento para tudo que já existe?
Podemos dizer que o amor dá sentido à vida, pois ele é a mais sábia expressão dos seres vivos.

– Tenho a impressão que as pessoas têm certa dependência da ‘paixão’ e quando acaba a fase de ‘borboletas estomacais’ começa a ver o outro como ele realmente é, e desta forma, a maioria desiste da união. É assim mesmo?
O início das relações são marcados pela atração física que traduz o que podemos aprender com as pessoas que desejamos. Algumas podem nos ensinar muito e com elas podemos estar bastante tempo, outras, dão somente uma pitada de sua presença em nossas vidas.

– As pessoas sabem diferenciar paixão de amor?
Faz-se muita confusão nesta área. A paixão é algo mais visceral, enquanto que o amor acontece aos habilidosos que conseguem estabelecer relações virtuosas. No geral, as pessoas não sabem diferenciar amor da paixão, que nos inebria e confunde. O amor está mais próximo da consciência.

– Existe mesmo o tal ‘amor a primeira vista’?
Creio que sim, principalmente para as pessoas que têm a intuição aguçada. Elas percebem quando o encontro é importante.

– E os príncipes encantados estão de fato por ai?
Nem  príncipes, nem princesas. Isso é pura projeção romântica que fazemos sobre os outros.

– Alguém que já chegou aos 40, 50 ou até mais, pode ainda ter a chance de encontrar a ‘metade da laranja’?
Não vejo porque não. Em qualquer idade você pode compartilhar do amor com outra pessoa.

–  Esse amor de gozos e prazeres é capaz de durar para a eternidade? Por que tantas pessoas ficam juntas pensando apenas nas afinidades e pouco tempo depois descobrem que o outro não é aquilo tudo e desistem? Antigamente era diferente?
Para que uma relação seja feliz a longo prazo é preciso que esteja embasada em valores elevados como a persistência, a colaboração, a gratidão, o reconhecimento. Se a relação tiver como base somente a sensualidade, não tem muito futuro. Antigamente você era levado obrigatoriamente a persistir nas relações. Isto podia significar péssimos relacionamentos ou para alguns, este era um bom motivo para aprimorar-se na forma de amar.

– Qual a diferença entre o amor sensual e o romântico?
O amor sensual é mais físico, enquanto o romântico é mais fantasioso.

– É possível substituir um relacionamento por amizade, sexo, festa ou religião? Aliás, é possível encontrar o ‘grande amor’ que todos estão procurando na balada?
A balada é um dos piores lugares para encontrar um amor. Com tanto barulho, bebidas, drogas e superficialidade, é complicado estabelecer um contato mais profundo. O amor têm muitas expressões como namoro, amizade, fraternidade, solidariedade, devoção, e cada uma delas, insubstituível.

– Existe o melhor lugar ou a melhor hora para encontrar o cara ideal ou a mulher ideal?
Em qualquer hora e em qualquer lugar você pode esbarrar com alguém que pode ser um bom parceiro. Isto é influenciado pelo destino, por seu momento interior e por sua presença de espírito para não desperdiçar as boas oportunidades.

– E quem já errou na primeira (separação), teria uma suposta segunda chance?
Claro que sim. A habilidade para amar é desenvolvida pela experiência, com erros e acertos, e muita consciência do momento presente.

– O que faz uma pessoa permanecer ao lado de outra pessoa?
Cada um escolhe com quem quer ficar e por quanto tempo. A isso chamamos de livre arbítrio. Somos totalmente responsáveis por nós mesmos e pelas relações que estabelecemos.

– Como fazer o amor resistir ao tempo? Existe uma fórmula para isso?
Existem fórmulas na matemática, na química, na física, nas ciências contábeis. Não existem fórmulas para amar. O que dá para fazer é se preparar e permitir que o amor lhe aconteça.

* Sergio Savian é terapeuta de relacionamentos e escritor, que oferece aconselhamentos, terapias e organiza eventos culturais para quem deseja conhecer pessoas reais. Para saber mais sobre seu trabalho acesse o site www.sergiosavian.com.br

Como ter uma vida feliz depois da separação?

Entrevista de Sergio Savian* para a Revista Yupi

 

1 – Depois do divorcio, quando ainda há sofrimento, um novo amor pode ajudar?
Você pode até se divertir com uma nova paquera, passar o tempo, mas se ainda estiver processando a separação, não haverá espaço para um novo amor em sua vida.

2 – Quando é hora de buscar um novo amor?
Ao invés de buscar um novo amor, prefiro entender que o amor nos acontece. E ele acontece quando estamos no ponto certo. Significa que você não está ocupado com amores antigos e recuperou a sede e a fome de amar.

3 – Muitas vezes a pessoa  recém separada sai para se divertir e volta para casa infeliz. Por que?
Diante da frustração do relacionamento que acabou, cria-se muita expectativa de encontrar alguém que valha a pena e se depara com a realidade: não é fácil encontra alguém ideal em qualquer esquina ou em qualquer balada.

4 – Como sair para um barzinho e deixar o filho chorando, sem culpa?
Na ausência do marido, é comum o filho fantasiar que tomou o lugar do pai e isso gera ciúme e controle. Isso não é bom. É da sua responsabilidade proporcionar o bem-estar dele enquanto está fora e explicar-lhe que ele não tem o poder que deseja sobre você.

5 – Como administrar esta culpa? Como saber se estou fazendo meu filho infeliz?
Se você oferece ao seu filho a sua presença, se dedica a ele e é uma boa mãe, não há porque se sentir culpada. Além disto, é importante manter uma boa relação com o pai que também deve cuidar do garoto, deixando-a livre para outros compromissos, mesmo que seja para divertir-se.

6 – E quando o filho é adolescente, os pais podem se separar e “viver a vida” sem que isso cause prejuízos à formação do filho já que essa idade é considerada delicada?
Continuar um casamento ruim não vale a pena nem para o casal, tampouco para os filhos. Por outro lado, ser filho de pais separados também não é uma tarefa fácil. Por isso, há que ter um bom conhecimento de si mesma, das suas relações e esta será a melhor base para criar filhos sem tantos traumas. É recomendável que todo mundo passe por um processo de autoconhecimento, que pode ser realizado por meio de uma boa terapia.

7 – Por que a mulher, mesmo tendo sido traída, é sempre cobrada, culpada?
Não acredito em vítimas e carrascos. A relação sempre é de responsabilidade dos dois. O tema da traição não deve ser compreendido de forma superficial, mas através de uma análise mais aprofundada do assunto. Sofrimento e culpa são típicos de quem não se conhece bem.

8 – Como enfrentar todo esse turbilhão que, muitas vezes mistura raiva, culpa, tristeza?
Como seres humanos, sempre estaremos sujeitos à emoções, que muitas vezes são destrutivas. Para que não soframos muito é preciso ter inteligência emocional. Terapia, meditação, leituras, são formas de ter mais consciência e lidar melhor com estas situações.

9 – Devo perdoar uma traição?
Devemos compreender melhor o que é traição, monogamia, poligamia. Nem tudo o que aprendemos é inteligente e saudável. Se tivermos a disposição de rever conceitos e paradigmas, podemos viver melhor. A questão não é perdoar ou não perdoar, mas sim comprometer-se com uma vida mais feliz.

*Sergio Savian é terapeuta e escritor, focado nos relacionamentos. No site www.sergiosavian.com.br você pode ver como ele trabalha e agendar um aconselhamento. Você também pode ligar para 011 2368-9305 ou escrever para atendimento@sergiosavian.com.br