A questão sexual entre familiares

Entrevista para o Notícias da TV do Portal UOL

Os casos abordados na novela O Sol, de romances entre parentes, com troca de casais, dois irmãos disputando a mesma mulher e outros que o autor aborda neste texto, também acontecem na vida real, não é mera ficção. Os triângulos têm três pontas que podem machucar a qualquer momento. Quando este triângulo acontece dentro de uma mesma família, o perigo, o ressentimento, as mágoas e o ódio se acentuam.Como a sexualidade humana não cabe dentro dos padrões que são considerados normais, a história que se conta oficialmente quase sempre é distante do que ocorre de fato. Por isso temos a impressão de que todo mundo é normal, com algumas exceções, quando na verdade cada um é único em seus desejos que nem sempre podem ser admitidos publicamente. Vivemos sob a pressão de um mundo que propaga o que é  politicamente correto. Mas tudo o que é proibido chama a atenção e adquire um sabor especial, principalmente quando os envolvidos têm a tendência, o desejo consciente ou inconsciente de transgredir as regras.Ao abordar este assunto o autor faz com que o público experimente a sensação de estar saindo da caixinha, dos deveres morais. Como no fundo até os mais pudicos têm suas fantasias, a novela acaba sendo uma válvula de escape ou uma confirmação de que no fundo muita gente sai do trilho da moralidade. De certa maneira isso providencia um alívio àqueles que se sentem culpados por seus próprios desejos proibidos. Além disso, o sexo e o ódio podem sim estar ligados. O desejo sexual muitas vezes está relacionado com a fantasia sadomasoquista. São muitos que querem consciente ou inconscientemente provocar dor  a pessoas com quem se relacionam, usando isso como forma de excitar-se.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

O prazer sexual está mais para uma boa brincadeira do que para uma chata tarefa de casa

O sexo, quando feito somente para a procriação, não precisa ser muito criativo, tampouco oferecer prazer. Pode ser um sexo básico, sem preliminares, sem muita história. Mas, em pleno século 21, queremos muito mais. Além de uma boa pegada, o sexo precisa de muita fantasia, que vai desde o romantismo até o sadomasoquismo. E se você for uma pessoa muito certinha, muito presa ao que é certo e errado, ao que é politicamente correto, muito “clean” e moralista, sinto muito, não fará um bom sexo. O tão almejado prazer sexual não se alcança com seriedade, mas provém do gingado, da sacanagem, da manipulação. Há quem se desenvolva no tantra, que é uma possibilidade de meditar e alcançar o êxtase junto com alguém no ato sexual, mas isso é para poucos. No geral, o prazer sexual está mais para uma boa brincadeira do que para uma chata tarefa de casa.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos.