O timing de cada um nos relacionamentos amorosos

Entrevista para a Revista Nova

1. Como lidar em uma relação quando o tempo entre as duas pessoas é diferente? Um quer casar, o outro não, por exemplo.
É da natureza das relações as diferenças no tempo de cada um. Por isso, é preciso ter muita maturidade e consciência para ter uma vida a dois com qualidade. É mais comum a mulher desejar o casamento e o homem ainda não estar pronto para isto,  relutando em tomar esta decisão. Enquanto ele não estiver “no ponto”, não é conveniente que se efetive o matrimônio. Eu proponho que o casal vá se comprometendo aos poucos para que o casamento não seja traumático e venha a ter consequências desastrosas.

2. Por que as pessoas podem estar em tempos diferentes na vida? Seria por que têm personalidade e desejos diferentes?
Cada pessoa é única e é único também o processo de amadurecimento, que deve vir sempre de dentro para fora e nunca por imposição do que venha a ser politicamente ou moralmente correto.

3. Insistir quando o outro não concorda vale a pena? As pessoas são capazes de mudar quando se quer que elas mudem?
Qualquer mudança que venha da cobrança ou imposição exterior tende ao fracasso. A única mudança possível, viável e eficaz deve acontecer por um processo de autoconhecimento, e isto é pessoal e intransferível. Deve-se respeitar o tempo de cada um para aprender, decidir e mudar.

4. Como perceber que o parceiro está em outro tempo? Outra sintonia? Deseja coisas diferentes? Bater de frente é pior? Como agir?
Quem não se conhece tende a fabricar relações complicadas. Você pode até obedecer uma ordem externa, mas no fundo ficará infeliz. Uns fazem de conta que concordam, mas manipulam para que tudo aconteça da sua própria forma, nem que para isso precisem mentir. Outros acatam as decisões do outro mas depois se vingam tornando a vida do parceiro um inferno.

5. Como saber se vale a pena insistir, esperar ou esquecer a pessoa? Quais sinais devemos perceber?
Por meio de uma conversa sincera e clara é possível saber exatamente o que se quer ou não. A partir desta verdade é que deve se tomar as decisões. Mas isto é somente para os mais inteligentes e corajosos.

6. Qual deve ser o limite entre tentar ou desistir?
Qualquer que seja a decisão do casal, ela  não se pode passar por cima dos sentimentos individuais. Nunca se deve impor um ponto de vista desrespeitando o outro. O que vale é o bem-estar dos envolvidos. Se o seu parceiro não pode lhe dar o que você precisa, não dá para exigir que ele o faça.

7. Por que tomar decisões em casal é tão difícil? Como respeitar a opinião do outro?
Quando há amadurecimento de ambos, é possível negociar, é possível experimentar algo, mesmo que você não esteja totalmente convencido. Quando você se entrega a uma união estável, nem sempre o seu ponto de vista prevalece. Você tem a capacidade de servir ao interesse do todo. Você tem flexibilidade e deixar que o amor seja maior que o ego. Pessoas com pouca maturidade emocional  não conseguem amar verdadeiramente.

8. E se as pessoas realmente estão em tempos diferentes vale a pena abrir mão do próprio objetivo por amor? Ou lá na frente uma hora não vai ter jeito?
Se você deseja amar, mais cedo ou mais tarde terá que aprender a compor seus interesses com os da outra pessoa. Não dá para amar sem que nada mude em sua vida. Hoje em dia é muita gente que abre mão do amor para não se descaracterizar. Agindo assim, você vai perder uma das experiências mais incríveis da vida.

9. Por que é importante ter coragem de seguir o seu rumo sozinho e sem a pessoa ao lado?
Ao se relacionar bem com as diferenças você aprende muito da vida. Além disto, são as diferenças as responsáveis pela atração que temos uns pelos outros. Porém, se você sente que as diferenças o torturam e quando elas são inegociáveis, talvez seja o fato de procurar pessoas com quem tenha mais afinidades.

10. Que conselhos você dá para essas pessoas que precisam seguir seu rumo sozinhas?
Para quem não tem talento ou paciência para viver em união, aconselho passar por um processo de autoconhecimento, quer seja pela meditação, por terapias, leituras, viagens que permitam uma vida mais consciente. Também é possível ser amoroso mesmo que não viva um relacionamento dentro dos padrões convencionais.

Serviço: Sergio Savian é escritor terapeuta de relacionamentos. Atende pessoas solteiras e casais com aconselhamento e terapia. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

As mais diversas interpretações do amor

Entrevista com Sergio Savian* para a Revista Única – MT

– O amor é de fato o que dá sentido à vida ou é mais um complemento para tudo que já existe?
Podemos dizer que o amor dá sentido à vida, pois ele é a mais sábia expressão dos seres vivos.

– Tenho a impressão que as pessoas têm certa dependência da ‘paixão’ e quando acaba a fase de ‘borboletas estomacais’ começa a ver o outro como ele realmente é, e desta forma, a maioria desiste da união. É assim mesmo?
O início das relações são marcados pela atração física que traduz o que podemos aprender com as pessoas que desejamos. Algumas podem nos ensinar muito e com elas podemos estar bastante tempo, outras, dão somente uma pitada de sua presença em nossas vidas.

– As pessoas sabem diferenciar paixão de amor?
Faz-se muita confusão nesta área. A paixão é algo mais visceral, enquanto que o amor acontece aos habilidosos que conseguem estabelecer relações virtuosas. No geral, as pessoas não sabem diferenciar amor da paixão, que nos inebria e confunde. O amor está mais próximo da consciência.

– Existe mesmo o tal ‘amor a primeira vista’?
Creio que sim, principalmente para as pessoas que têm a intuição aguçada. Elas percebem quando o encontro é importante.

– E os príncipes encantados estão de fato por ai?
Nem  príncipes, nem princesas. Isso é pura projeção romântica que fazemos sobre os outros.

– Alguém que já chegou aos 40, 50 ou até mais, pode ainda ter a chance de encontrar a ‘metade da laranja’?
Não vejo porque não. Em qualquer idade você pode compartilhar do amor com outra pessoa.

–  Esse amor de gozos e prazeres é capaz de durar para a eternidade? Por que tantas pessoas ficam juntas pensando apenas nas afinidades e pouco tempo depois descobrem que o outro não é aquilo tudo e desistem? Antigamente era diferente?
Para que uma relação seja feliz a longo prazo é preciso que esteja embasada em valores elevados como a persistência, a colaboração, a gratidão, o reconhecimento. Se a relação tiver como base somente a sensualidade, não tem muito futuro. Antigamente você era levado obrigatoriamente a persistir nas relações. Isto podia significar péssimos relacionamentos ou para alguns, este era um bom motivo para aprimorar-se na forma de amar.

– Qual a diferença entre o amor sensual e o romântico?
O amor sensual é mais físico, enquanto o romântico é mais fantasioso.

– É possível substituir um relacionamento por amizade, sexo, festa ou religião? Aliás, é possível encontrar o ‘grande amor’ que todos estão procurando na balada?
A balada é um dos piores lugares para encontrar um amor. Com tanto barulho, bebidas, drogas e superficialidade, é complicado estabelecer um contato mais profundo. O amor têm muitas expressões como namoro, amizade, fraternidade, solidariedade, devoção, e cada uma delas, insubstituível.

– Existe o melhor lugar ou a melhor hora para encontrar o cara ideal ou a mulher ideal?
Em qualquer hora e em qualquer lugar você pode esbarrar com alguém que pode ser um bom parceiro. Isto é influenciado pelo destino, por seu momento interior e por sua presença de espírito para não desperdiçar as boas oportunidades.

– E quem já errou na primeira (separação), teria uma suposta segunda chance?
Claro que sim. A habilidade para amar é desenvolvida pela experiência, com erros e acertos, e muita consciência do momento presente.

– O que faz uma pessoa permanecer ao lado de outra pessoa?
Cada um escolhe com quem quer ficar e por quanto tempo. A isso chamamos de livre arbítrio. Somos totalmente responsáveis por nós mesmos e pelas relações que estabelecemos.

– Como fazer o amor resistir ao tempo? Existe uma fórmula para isso?
Existem fórmulas na matemática, na química, na física, nas ciências contábeis. Não existem fórmulas para amar. O que dá para fazer é se preparar e permitir que o amor lhe aconteça.

* Sergio Savian é terapeuta de relacionamentos e escritor, que oferece aconselhamentos, terapias e organiza eventos culturais para quem deseja conhecer pessoas reais. Para saber mais sobre seu trabalho acesse o site www.sergiosavian.com.br

Como ter uma vida feliz depois da separação?

Entrevista de Sergio Savian* para a Revista Yupi

 

1 – Depois do divorcio, quando ainda há sofrimento, um novo amor pode ajudar?
Você pode até se divertir com uma nova paquera, passar o tempo, mas se ainda estiver processando a separação, não haverá espaço para um novo amor em sua vida.

2 – Quando é hora de buscar um novo amor?
Ao invés de buscar um novo amor, prefiro entender que o amor nos acontece. E ele acontece quando estamos no ponto certo. Significa que você não está ocupado com amores antigos e recuperou a sede e a fome de amar.

3 – Muitas vezes a pessoa  recém separada sai para se divertir e volta para casa infeliz. Por que?
Diante da frustração do relacionamento que acabou, cria-se muita expectativa de encontrar alguém que valha a pena e se depara com a realidade: não é fácil encontra alguém ideal em qualquer esquina ou em qualquer balada.

4 – Como sair para um barzinho e deixar o filho chorando, sem culpa?
Na ausência do marido, é comum o filho fantasiar que tomou o lugar do pai e isso gera ciúme e controle. Isso não é bom. É da sua responsabilidade proporcionar o bem-estar dele enquanto está fora e explicar-lhe que ele não tem o poder que deseja sobre você.

5 – Como administrar esta culpa? Como saber se estou fazendo meu filho infeliz?
Se você oferece ao seu filho a sua presença, se dedica a ele e é uma boa mãe, não há porque se sentir culpada. Além disto, é importante manter uma boa relação com o pai que também deve cuidar do garoto, deixando-a livre para outros compromissos, mesmo que seja para divertir-se.

6 – E quando o filho é adolescente, os pais podem se separar e “viver a vida” sem que isso cause prejuízos à formação do filho já que essa idade é considerada delicada?
Continuar um casamento ruim não vale a pena nem para o casal, tampouco para os filhos. Por outro lado, ser filho de pais separados também não é uma tarefa fácil. Por isso, há que ter um bom conhecimento de si mesma, das suas relações e esta será a melhor base para criar filhos sem tantos traumas. É recomendável que todo mundo passe por um processo de autoconhecimento, que pode ser realizado por meio de uma boa terapia.

7 – Por que a mulher, mesmo tendo sido traída, é sempre cobrada, culpada?
Não acredito em vítimas e carrascos. A relação sempre é de responsabilidade dos dois. O tema da traição não deve ser compreendido de forma superficial, mas através de uma análise mais aprofundada do assunto. Sofrimento e culpa são típicos de quem não se conhece bem.

8 – Como enfrentar todo esse turbilhão que, muitas vezes mistura raiva, culpa, tristeza?
Como seres humanos, sempre estaremos sujeitos à emoções, que muitas vezes são destrutivas. Para que não soframos muito é preciso ter inteligência emocional. Terapia, meditação, leituras, são formas de ter mais consciência e lidar melhor com estas situações.

9 – Devo perdoar uma traição?
Devemos compreender melhor o que é traição, monogamia, poligamia. Nem tudo o que aprendemos é inteligente e saudável. Se tivermos a disposição de rever conceitos e paradigmas, podemos viver melhor. A questão não é perdoar ou não perdoar, mas sim comprometer-se com uma vida mais feliz.

*Sergio Savian é terapeuta e escritor, focado nos relacionamentos. No site www.sergiosavian.com.br você pode ver como ele trabalha e agendar um aconselhamento. Você também pode ligar para 011 2368-9305 ou escrever para atendimento@sergiosavian.com.br