Estamos todos condenados à morte, mas isso não é uma novidade!

Texto de Sergio Savian*

Desde que nascemos o nosso destino é morrer. É só uma questão de tempo. Alguns morrem muito cedo, outros no percurso da vida e a maioria morre com mais idade. Mas uma coisa é certa: todos nós vamos morrer. Mas essa é uma verdade que no geral fazemos questão de não olhar de frente. Parece que nunca será com a gente.
Quando alguém tem a sua sentença de morte decretada, depois de se rebelar e achar que é um azarado, percebe que diante do inevitável só resta aproveitar muito bem o tempo que ainda falta. É clássico! Quer dizer, a iminência da morte evidencia o que é mais importante na vida. Deixamos de lado as picuinhas, nos arrependemos do tempo perdido e acordamos para o momento presente, antes que ele acabe. Quer dizer, a vida e a morte andam sempre de mãos dadas. Não dá pra pensar em uma, sem levar em consideração a outra. A vida é um eterno morrer e renascer.Cada vez que dormimos, é uma espécie de pequena morte. Cada vez que temos um orgasmo, também. Perdemos o controle, o ego – o eu, da forma que conhecemos, desaparece. Na verdade vivemos a morte sistematicamente mas não temos consciência disso. Só temos a impressão de que ela é má. Que não deveria acontecer. E evitamos esse assunto a todo custo.
Então, se você nega a morte, e não quer pensar nela, se você faz de conta que ela não existe, tem alguma coisa errada com você! Como você pode negar algo tão real, inquestionável? A gente morre todo dia, morrem pessoas todos os dias.
E o que está acontecendo agora? A morte está passando por aí, e, a gente não sabe exatamente quem ela vai escolher. Pode ser eu, pode ser você, pode ser qualquer um. Essa é a verdade. O medo prevalece, o instinto de sobrevivência fica aguçado. A ordem é ficar em casa, se proteger, pois na rua você vira uma presa fácil.
Tem mais: o nosso pequeno eu não tem a força que imaginávamos. A gente ficou muito tempo achando que éramos muita coisa: julgando, condenando, segregando. Até hoje ainda tem muitos que se sentem superiores ou donos da verdade. Acham que sabem tudo. Sabe nada! Abaixa a crista, coloque-se no seu lugar. Estamos todos no mesmo barco. Agora, ninguém é mais que ninguém.
É claro que devemos ficar em casa, é claro que não vamos sair por aí desafiando o perigo. Mas isso é pouco. Vamos aproveitar essa oportunidade. Tem um outro caminho. Que  tal fazermos as pazes com a vida e entender que a morte não é sua principal inimiga, afinal, ela faz parte. Na real, o principal opositor da vida é o medo. É ele que nos paralisa, é ele que nos ilude dizendo que devemos ter o controle de tudo. Será que temos tanto controle assim? Como medo da morte a gente se engessa, a gente não vive. Queremos segurança, queremos ter cada vez mais segurança. E agora? Que segurança você tem? É sempre bom lembrar: o lugar mais seguro que existe é o caixão. Ali nada de novo acontece. Nenhuma incerteza, nenhum imprevisto. Quer dizer, o medo leva a gente para uma imobilidade mortal. Com medo de morrer, você não vive.Com medo de morrer você se proíbe.Com medo de morrer você se paralisa. O medo não te deixa viver. O medo amarra a gente. Não estamos acostumados com o fluir da vida. É por isso que tem muita gente que está quase morto e não sabe!
Quem se acostuma com o fluir da vida, não tem medo da morte. Quem tem como valor máximo a realização não teme a morte. Gosto muito do título do poeta Pablo Neruda “Confesso que vivi”. Esse é o meu lema e pode ser também o seu.
Quanto menos medo você tiver da morte, mais vai aproveitar a vida. O contrário do medo da vida é aproveitar tudo que você tem direito, dançar a vida, celebrar a vida. Lembrando que aproveitar a vida não é sair por aí buscando a felicidade fora. A resposta não está longe de você, fora de você. O segredo é reconhecer os bons momentos em tudo o que faz, mesmo com as limitações atuais. Amando o que faz, fazendo bem feito, colaborando com o mundo.
O eu pequeno, egóico, do jeito que estamos acostumados, não vai resolver essa situação. Precisamos do Eu grande que vem da humildade, da humanidade, que vem do questionamento dos valores equivocados que andaram nos guiando. O Eu grande se manifesta na união de todos nós. No reconhecimento do que está além da matéria. Está no espírito. Está no amor. E na nossa  boa vontade.
O momento agora não é de reclamar, nem de culpar os outros. Tenha a dignidade de olhar para si e entender o que você tem feito da sua vida. Tenha a coragem de assumir a responsabilidade. O que estamos vivendo hoje é produto das escolhas que fizemos no passado. E isso não muda. O que dá pra mudar é o que vou fazer hoje. E hoje, ao invés de se encolher de medo, podemos dançar a vida e celebrar o fato de estar vivo.
Escuto as pessoas dizendo que não veem a hora de tudo voltar ao normal. Mas eu digo: “Eu não quero que tudo volte como era antes!” Não me interessa esse jeito . Estávamos equivocado, não estávamos felizes. Eu quero que o amanhã seja diferente. Eu quero que o amanhã seja construído com muita consciência hoje. Um amanhã mais alegre, mais gentil, com mais inteligência emocional, com mais cuidado com a gente mesmo e com os outros.

Sergio Savian – psicanalista clínico transpessoal 
(se estiver interessado em seu autoconhecimento, fale comigo pelo Whatsapp  11 98383 9305)

Além do ego: a nova ordem

texto de Sergio Savian*

Com as restrições radicais do momento, e não sabemos exatamente até quando isso vai, não é mais possível exercer o seu eu, ao menos da forma habitual. Se você estava acostumado com uma rotina, tem que mudar. Se tinha algumas compulsões, tem que rever. Se cultivava a vaidade, não importa mais. Se você se sentia superior ou inferior, sinto muito, isso é uma ilusão. Estamos todos juntos neste barco. Na verdade sempre estivemos, mas tínhamos dificuldade para perceber. Estávamos iludidos com as promessas do consumo. Achávamos que a felicidade e a infelicidade vinha de fora. Que alguém ou algo iria nos salvar. Estávamos apegados a uma vida superficial. Nos acostumamos a culpar os outros. Negávamos a realidade para vivermos num mundo de faz de conta, irreal. Agora tudo mudou. Você precisa olhar para si, se conhecer, abrir mão do que não serve mais. Ter mais responsabilidade por si mesmo. Colocar luz na própria sombra. Reconhecer seus erros. Parar de projetar os problemas nos outros. Você não pode mais sair por aí de forma irresponsável. Precisa sair da dependência doentia e entender a interdependência saudável. Vai ter que sair do individualismos radical para ser colaborativo. Vai ter que baixar a bola. Você não é nem mais nem menos que ninguém. Em espírito, somos todos iguais. Somos todo um. Este é o desafio. O mundo estava insano, puro ego. Agora é hora da saúde. Hora de cuidar de si em amplo sentido: do corpo, da mente, das emoções, do espírito. Este é um momento muito precioso, o momento da virada. Aproveite!

Se precisar de ajuda fale comigo no Whataspp 11 983839305

*Sergio Savian – psicanalista transpessoal

Relacionamento pelo Whatsapp, dá certo?

Entrevista de Sergio Savian* para a Revista Auto-estima

Os meios de comunicação atuais são muito bons e nos permitem conhecer novas pessoas, encontrar profissionais, agilizar negócios, fazer pesquisa, falar com a família, amigos e amantes, nosso deslocamento é facilitado, nos divertimos. As redes sociais mudaram a relação que temos com nós mesmos, com os outros e com o mundo. Mas no que se refere aos relacionamentos, esta mesma tecnologia pode atrapalhar. Para que as relações sejam boas, saudáveis, é preciso ter inteligência emocional. Isto implica fazer uma leitura de si mesmo e dos outros que vá além das palavras, além do que é dito. E isso acontece por meio das feições, das entonações, da expressão não verbal.
Escrever o que você está sentindo é uma tarefa bem difícil; somente alguns escritores muito bons, o conseguem. Falar de si, falar dos relacionamentos, expressar o que sente e pensa, exige que você escreva muito bem. Mas não é isso o que acontece nas redes sociais. Lá, prevalecem as imagens editadas e frases curtas, uma comunicação superficial, bem distante da realidade. A própria conversa teclada no Whatsapp nunca consegue atingir um bom nível por decorrência de suas próprias limitações. As palavras são insuficientes para expressarmos a entonação exata do queremos  dizer. E nas relações, a forma com que falamos é mais importante do que aquilo que é dito. Sendo assim, ao teclar uma conversa, você está perdendo uma grande e importante parte da comunicação e isso cria um enorme ruído.
Também pelo fato de você não ver a expressão do outro, isso dá margem a escrever coisas que não são verdadeiras. Você pode disfarçar suas emoções, pode mentir sobre onde e com quem está. Vamos nos acostumando com mentiras de um lado e desconfiança do outro…
Ocupados com as redes sociais e com as mensagens do Whatsapp, você ignora a vida real, se ausenta do aqui- agora, das relações. Somos superficiais na net e não prestamos atenção ou até descartamos as relações reais.
Mas antes que você fique com cara de computador, automatizado e frio, pense no que fazer para não ser devorado pelo buraco negro virtual, dedicando mais tempo ao mundo real. Afinal de contas, a vida é bela, basta erguer os olhos para o momento presente.

*Sergio Savian – psicanalista de relacionamentos
www.relacionamentoamoroso.net.br